Algumas décadas nos separam da época em que “farmácia” se escrevia com “ph”. E quanto mais o tempo se distancia, mais curioso é perceber que muito do que hoje aplicamos cotidianamente, nada mais é que uma recriação do que já se fazia há muito tempo.

 

Dispondo de tipografia própria, a empresa não só imprimia embalagens e catálogos detalhados de seus produtos, como editava publicações destinadas a diferentes públicos: o Pharol da Medicina, o Catálogo de Extractos Fluidos e a Revista Brasileira de Medicina e Pharmacia.

 

Graficamente muito bem produzidas para os padrões da época, essas publicações ajudavam a divulgar o nome da Granado por todo o país, conferindo-lhe credibilidade científica.

 

 

Catálogo de Extractos Fluidos 

Além de seus próprios produtos, a Granado buscava a divulgação e disseminação do uso das plantas medicinais brasileiras. Em 1921, publicou o Catálogo de Extractos Fluidos com informações sobre a flora nacional. Três anos depois, em 1924, produziu uma edição menor deste catálogo, em francês, intitulada Catalogue d’extraits fluides de plantes médicinales du Brésil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Revista Brasileira de Medicina e Pharmacia

A Revista Brasileira de Medicina e Pharmacia, publicada entre 1925 e 1939, chegou à tiragem de 20 mil exemplares ao ano. Distribuída gratuitamente para os mais importantes profissionais da área, trazia discussões técnicas sobre tratamentos de enfermidades, em artigos assinados pelos próprios médicos, e propaganda dos produtos Granado. Além disso, na forma de um encarte, acompanhava a Revista uma pequena ficha destacável, que os médicos podiam enviar à Granado solicitando amostras dos produtos, comunicando mudanças de endereço e fazendo críticas ou sugestões.

 

Conheça alguns relatos de grandes médicos brasileiros que indicaram os produtos Granado em seus tratamentos:

 

Dr. Arnaldo de Moraes

“Declaro que tenho recomendado com ótimos resultados, para minhas clientes, o Vinho Reconstituinte Granado, nos casos medicinais.

 

Rio, 10 de janeiro de 1925”

 

Dr. Moncorvo Filho

“Ilustríssimos senhores, Granado e Cia.

Com prazer comunico a vossas senhorias serem cada vez mais evidentes os resultados que do Hormocalcio tenho podido colher, em vultuoso número de doentes de minha clínica, tanto após a mais longa experiência verificando tratar-se de precioso produto da maior utilidade, particularmente na infância, quando se precisa administrar o cálcio e a opoterapia, feliz associação em boa hora realizada no Hormocalcio.

O esplêndido medicamento é daqueles que honram a indústria nacional.

 

Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1928

Profº Miguel Couto

“A associação feliz da opoterapia pluriglandular ao cálcio para fórmula denominada Hormocalcio da farmacêutica Granado confirma-se na clínica nos casos de descalcificação do organismo com decadência de forças, emprego-o na tuberculose, estados neurastênicos, convalescenças demoradas etc.”

 

Dr. Fernandes Figueira

“Visitei, há uma semana, os laboratórios Granado & Cia. Foi me dado observar em seu funcionamento os aperfeiçoados maquinismos da indústria farmacêutica. Causaram eles a mais agradável impressão ao médico, lhe prometendo a perfeição dos medicamentos, o que representa o caminho da perfeição na arte de curar.

 

Rio, 25 de agosto de 1922”

 

 

O Pharol da Medicina

O almanaque, distribuído gratuitamente ao público, circulou de 1888 até a década de 1940, chegando a atingir a tiragem de 200 mil exemplares por ano. Seu conteúdo básico era a propaganda dos muitos produtos da Casa, mas oferecia também algum tipo de entretenimento aos seus leitores, com algumas anedotas e curiosidades em geral. 

 

“A espera do almanaque começava nos primeiros dias de dezembro. Passávamos todos os dias na farmácia, perguntando: Chegou? [...]. Os pais folheavam o almanaque primeiro. Depois passavam para os filhos, com a recomendação para não rasgar. Consultava-se o almanaque o ano inteiro.” 

 

Ignácio de Loyola Brandão referindo-se a importância dos almanaques na década de 1930, em jornal O Estado de São Paulo, 28 de agosto de 1994

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A propaganda é a alma do negócio

Criadas em sua maioria pelo ilustrador T. Tarquino, as campanhas da Granado também pegavam carona nos fatos da época, cheias de humor efervescente e, às vezes, em doses nada homeopáticas do politicamente incorreto.

 

Com uma linguagem acessível, as propagandas tinham a intenção de educar os fiéis clientes da farmácia.

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