“- Cheguei ao Rio [em 17/06/1860], como chega um portuguez disposto ao trabalho — com pequena mochila e animo forte! [...]” - Entrevista de José Coxito para o jornal A Noite, de 12 de novembro de 1932.

 

Quando adquiriu a botica de Barros Franco, em 1870, José Coxito Granado buscou incrementar o comércio farmacêutico nacional trazendo representações de várias empresas da Europa e cercando-se dos melhores profissionais da área.

 

Em 1899, a farmácia da rua Primeiro de Março já era um dos estabelecimentos mais respeitados do Rio de Janeiro, e José Coxito viu a necessidade de montar um laboratório para atender à demanda de pedidos. Com 15 anos de funcionamento, tornou-se novamente insuficiente. 

 

Em 1912, então, foi adquirido um “grande” prédio na rua do Senado, nº 48, para que ali fosse montado um laboratório modelo. O “Laboratorio Chimico-Pharmaceutico de Granado” foi equipado com a tecnologia mais avançada de sua época, sendo considerado um dos maiores e melhores da América do Sul. 

 

“Era gerente. A botica do Barros Franco tinha duas portas e pequenas prateleiras. Progrediu, sob minha direcção. Um dia, sentindo-se cansado o patrão, ofereci-Ihe sete contos pela casa. Ele aceitou a oferta”. 

 

 

 

 

 

 















 

 

Ilha da Saúde, a chácara Granado em Teresópolis

 

José Coxito tinha uma propriedade na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, onde cerca de 300 espécies de plantas medicinais eram cultivadas sob olhar atento de seu dono e usadas na manipulação dos produtos da farmácia.

 

Em entrevista ao jornalista João Luso, publicada no Jornal do Commercio e reproduzida no Pharol da Medicina, de 1929, José Coxito expressa sua paixão por esse recanto:

 

“ As bênçãos de Deus cahem nestas alturas como em nenhum outro logar. Eu passo, lá embaixo, semanas inteiras a labutar, a magicar negocios... Quando sinto o cansaço chegar deveras, agarro no sobretudo e tomo o trem. Enterrei aqui uma fortuna para transformar um pantano... naquillo que você está vendo. Mas bem empregado dinheiro, senhor! Durmo aqui uma noite, duas noites, sinto-me outro.”

Ponto de encontro social

Tradicionalmente, as boticas eram locais de encontro das mais importantes personalidades da cidade. Eram nelas que, no fim da tarde, reuniam-se a elite intelectual para um bate-papo descompromissado ou fervorosas discussões políticas e sociais.

 

Durante o Império, José Coxito foi amigo pessoal de D. Pedro II, do jurista Ruy Barbosa e do abolicionista José do Patrocínio. Já na República, a farmácia recebeu os presidentes Epitácio Pessoa e Juscelino Kubitschek, o aviador Gago Coutinho, o prefeito Pereira Passos entre outras personalidades.

 

“E um dia procurei o governador (sic) da cidade. Nosso encontro foi curioso. Ele apertou a mão e disse-me: — "Você é que é o Granado?" E eu fiz-lhe idêntica pergunta: — "E você é que é o Passos?" Porque só nos conhecíamos de vista. Ficamos íntimos, no mesmo instante”. 

Entrevista de José Coxito para o jornal A Noite, de 12 de novembro de 1932

 

 

 

Premiações nacionais e internacionais

 

Ao longo das primeiras décadas do século XX, a Granado era uma das mais conceituadas indústrias farmacêuticas e de perfumaria no Brasil, motivo de orgulho nacional.

 

Essa notoriedade lhe valeu inúmeras premiações em exposições e, principalmente, o reconhecimento da classe médica que não só prescrevia, mas colaborava para a divulgação de seus produtos.

 

 

 

 

 

 

 

 

A Pharmácia Oficial da Família Imperial Brasileira

 

Em agosto de 1888, quando D. Pedro II voltava de uma viagem à Europa e toda a cidade havia lhe preparado muitas homenagens, a Granado encomendou um quadro – inspirado em fotografia enviada pelo Imperador para o seu boticário e amigo – assim descrito por Mary del Priori em seu livro O Príncipe Maldito: 

 

“A farmácia dos senhores Granado [...] encomendou ao artista Frederico Antônio Steckel uma decoração especial. A pintura a óleo [...] exibia em tamanho natural os avós e o neto: “o favorito”. No alto da grossa moldura, as armas imperiais. Em seda carmesim, tremulavam sobre o quadro os dizeres em letras douradas: Feliz Regresso de Suas Majestades Imperiais”.

 

A Granado era um das companhias fornecedoras oficiais do Palácio, e no ano de 1884 foi condecorada pelo Imperador com o título o de Pharmácia Oficial da Família Imperial Brasileira. 

Estava escrito

José Coxito faleceu em 1935, deixando a direção da empresa ao seu irmão João Bernardo Coxito Granado.

 

Após a morte de João Bernardo, em 1943, a direção passou para as mãos do Comendador Armando Ribeiro Vieira de Castro – esposo de Manuela Granado, uma das filhas de José Coxito. 

 

Na década seguinte, com o falecimento de Vieira de Castro, a Granado ficou sob a direção de Otto Serpa Granado, filho de José Coxito. Após a morte de Otto, na década de 1970, Carlos Granado Vieira de Castro, neto de José Coxito e filho de Armando e Manuela, assume a presidência.

 

José Coxito, em seu testamento deixou registrado o desejo de eternizar a botica e levá-la para 

além do Brasil pelas mãos de um estrangeiro. Em 1994, Carlos Granado contratou o economista inglês Christopher Freeman para vender a empresa do avô.

 

Christopher Freeman se encantou pela trajetória e empreendedorismo de José Coxito; comprou ele mesmo a antiga botica e deu início à modernização da empresa. Quando viu a necessidade de reposicionar a marca, junto com sua filha Sissi Freeman, percebeu que a riqueza da Granado era a sua história.

HISTÓRIA